A Bicicleta na França
Por Maria Thereza M.A., em 21/11/2009 às 3:16. Arquivado em: França.
Hoje, pela primeira vez na história da humanidade tal qual eu a conheço, eu voltei para casa da balada de bicicleta. Sim, de bike, magrela, camelo etc.
Primeiro de tudo: O que leva alguém a sair de bicicleta às 3 da manhã num outono muito do frio?
Simples, o transporte público só vai até a 1h. Aí pra ir pra casa acabada depois da night as opções são: virar Cinderella e ir embora à meia-noite; pegar o ônibus pleine lune, opção restrita porque só passa de quinta a sábado e tem pouquíssimos pontos; ir a pé mesmo, o que depende muito da distância; ou pegar bicicleta. Nenhuma das opções leva em consideração o quesito segurança, já que aqui as pessoas não têm medo de serem estupradas na rua à noite e não vamos entrar em detalhes socioeconômicos.
Hoje, fiz amizade com dois meninos que moram em Gerland, que é aqui pertinho de casa, e eles são adeptos da bike, então aproveitei que ofereceram companhia para minha primeira experiência bicicletera.
Segundo de tudo: Onde diabos alguém consegue uma bicicleta às 3 da manhã de sexta para sábado?
A maior parte das grandes cidades européias (e no resto do mundo também, mas aqui a cultura da bicicleta é muito forte) tem um sistema público de aluguel de bicicletas. Funciona assim: tem uma estação de bicicletas com várias bikes estacionadas, você bota seu cartão de crédito, escolhe a bike e sai feliz pedalando até o seu destino, onde haverá uma outra estação de bicicletas onde você irá “estacionar” sua amiga, sob pena de tirarem uma quantia em euros da sua conta no banco se você não devolver.
Em Lyon, esse sistema se chama vélo’v. É um trocadilho de vélo [ve'lô] (bicicleta, em francês) com o inglês love.

A cidade é muito bem servida pelo sistema, que funciona 24 horas e tem várias estações espalhadas em todo o canto, em intervalos bem regulares. Aqui perto de casa, por exemplo, tem uma estação na quadra ao lado da minha e outra na quadra seguinte. Eu nunca tinha usado por terror de que tirassem 150 euros da minha conta por engano ou algo assim, mas hoje um dos meninos passou o cartão dele pra mim. Ah, o sistema é barato: a primeira meia hora é grátis, os trinta minutos seguintes custam 1 euro, e a cada trinta minutos depois disso você paga 2 euros, na tarifa mais cara.
Terceiro de tudo: A experiência.
Olha, é muito verdade que andar de bicicleta a gente nunca esquece. Devia fazer uns 10 anos que eu não andava de bicicleta, sem exagero nenhum. Considerando que eu aprendi com 11, eu andei de bicicleta muito pouco na vida.
Achei a vélo’v um pouco desconfortável porque, mesmo com o banco regulado no mínimo possível, ela ainda ficava alta pra mim. Estou achando bizarríssimo chamar a vélo’v de “ela”, porque vélo é um substantivo masculino em francês, mas vamos prezar pela boa concordância portuguesa. Fato é que eu malemal alcançava o pé no chão, ficava meio sem base nas paradas. Isso era um problema na hora de desviar dos “minipostes” que tem na rua por aqui, pra carro não subir na calçada. Sim, carros aqui sobem na calçada sempre que podem, sempre. Tem um bom espaço entre um poste e outro, mas medo, muito medo de bater certinho a roda da bike no poste, então eu ia devagar quase parando quando tinha que passar entre dois desses. Fora que só depois de muito tempo eu tive a idéia de trocar de marcha, aí comecei a andar melhor. A coisa boa é que é padrão das bicicletas serem “femininas”, ou seja, nao tem aquela barra super alta que liga o selim e o guidom que você tem que ser atleta pra passar a perna por cima. No final já tava craque em dar um pulinho charmoso pra descer.
Foi muito mágico e francês passar de bicicleta à noite pela Pont de l’Université, a mais bonita ponte sobre o Rhône. Muito francês. Só faltou eu estar fumando com piteira enquanto ando de bicicleta, de boina e baguete embaixo do braço.
Foto por coolmonfrere
Ficadica: Vai pra Europa? Faça como os nativos e ande de bike pelo menos uma vez. É legal.
Vou amanhã fazer o cartão pra usar liberado.
8 comentários



Jean
21/11/2009 às 11:05
Que tal a Tê , precisou ir para a França para perder o medo de andar de bicicleta, que legal.
Beijos…
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Luísa
21/11/2009 às 13:05
ai, tem Sevici aqui em Sevilla, que é inspirado no Velib e no Vélo’v e funciona igual, mas eu nunca tive coragem de andar (apesar de achar super prático e super europeu e dos meus amigos terem o abono anual), porque também não ando de bicicleta há uns 10 anos e, descoordenada que sou, tenho certeza de que ia atropelar alguém ou cair no meio da rua :(
mas esse post me deu um pouquinho de coragem. haha
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Vy
21/11/2009 às 13:34
No Japão eu ia de bike pra onde fosse (quando tinha uma). Reza a lenda que eles se roubam as bikes das estações de trem, mas não acredito, eles são honestos demais. Acho que isso deve ser coisa de brasileiro mesmo! Mas lá é comum ver os velhinhos de bike também, e ter carro, pra geração atual, não é uma necessidade nem material como é aqui. As cidades não comportam e é muito caro pra manter. Se no Brasil fosse viavel, talvez andasse de bike. Mas meu irmão já teve a dele roubada na universidade. Serraram a corrente! Não dá… Mas essa coisa desse velo’v é bem legal! Bem prático…
Bjo
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Alexandre
21/11/2009 às 14:58
Gostei do review auhhuauahua
beijo!
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Alice Désirée
26/11/2009 às 14:32
Ai, eu ainda quero comprar uma bicicleta e uma daquelas com cestinha bem romântica..rsrs..Ia amar poder ir para a faculdade de bicicleta, mas fica muito distante..O Rio de Janeiro é gigantesco! rsrs..Da minha casa até a facul é uma hora de ônibus, imagina de bicicleta! Eu ia chegar lá morta, isso se chegasse! rsrsrsrs..Mas quero comprar uma bicicleta para ir para o curso porque de bicicleta deve ser uns 20 minutos meia hora no máximo para chegar lá..Meu bolso agradece e a natureza também! hehe..
Bjs!!
=1
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