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Arquivo da tag ‘língua portuguesa’

Dramas lusófonos

Por Maria Thereza M.A., em 28/05/2009 às 11:29. Arquivado em: Relacionamentos. Com as tags , .

Não é verdade que a palavra saudade existe só no português. Ela existe também em galego, a mesma palavra com o mesmo significado, o que não é grandes coisas porque galegos e portugueses são assim ó. Assim, pode-se dizer que saudade é um idiotismo da língua portuguesa/galega. Apesar de nos fazer sentir como verdadeiros idiotas, não é disso que se trata: idiotismo é um termo (palavra, expressão ou ditado) de uma língua que não possui equivalente em outra língua. Várias outras línguas têm, sim, o termo nostalgia, e os não-lusófonos podem dizer que está aí sua tradução de saudade, mas mal sabem eles que, se saudade fosse nostalgia, o mundo seria um lugar melhor. Nostalgia não dói.

Tomemos, para efeitos de comparação, o inglês como exemplo, porque é a língua materna da pessoa de quem eu mais sinto saudade no momento. Em inglês, as pessoas dizem “I miss you”, “sinto sua falta”. O que pode parecer um sentimento intenso, dado que o fato de a pessoa que eles amam não estar mais perto deles causa um certo sofrimento, mas não é nada que lhes tire o sono e os vá fazer escrever sonetos.

Sentir falta significa: “Queria que você estivesse aqui.”

Saudade significa: “Quando nos separamos, eu escolhi deixar metade do meu coração com você, e essa metade-fantasma ainda bombeia o meu sangue, da mesma forma que a pessoa que perdeu um braço ainda sente coceira na mão que falta.”

Falar português intensifica suas dores. Feliz é ele, que se contenta com inglês e japonês.

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Ivan Lessa e a Reforma

Por Maria Thereza M.A., em 30/05/2008 às 13:42. Arquivado em: Outros. Com as tags , , .

[...] Língua a gente deve dar uma olhada e nela tentar sentir suas origens. Há um orixá etimológico dentro de todos nós, razoavelmente informados, pedindo para baixar no cavalos que somos. Por esse motivo, os franceses deixaram aquele desmando de acentos graves, agudos e circunflexos, sempre nos lugares menos esperados, só para fazer o cidadão sentir uma cutucada de um caboclo latino ou grego, pedindo charuto, pinga e lugar no terreiro.

Da coluna de hoje do Ivan Lessa.

Achei o máximo, apesar de ainda estar em cima do muro sobre a reforma ortográfica. Esse parágrafo acima exemplifica bem a minha posição de esquerda, mas pelo lado da direita (acho “direita” e “esquerda” conceitos tão relativos) acredito que a língua falada sofre, sim, evoluções naturais (acho ótimo que seja assim) e logicamente a escrita deveria acompanhar essa evolução. Concordo veementemente que um padrão para todos os países de língua portuguesa facilitaria muito os esquemas mas, por outro lado, língua é uma coisa tão cultural e única que padronizá-la seria padronizar a cultura – um absurdo.

E vou sentir falta do acentinho em “vôo”.

Ô libriana.

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